Mancallas, o Ex-Ateu e o Hip-Hop

Olá Mancallas! Bem-vindo e obrigado por teres aceitado o convite.

 

Antes de tudo, dá-nos o teu testemunho. O que aconteceu contigo, quem tu eras e quem és agora.

Olá ULTRAFM antes de mais, eu é que agradeço à ULTRAFM o interesse em conhecerem um pouco mais da minha pessoa e da minha música.
 No fundo sou o mesmo Carlos de sempre, a diferença está na idade e em alguma barba branca! Hehe…
Agora sem brincadeiras nasci e cresci em Cascais mais propriamente nas Fontainhas. A minha família é de origem humilde, mas graças a Deus nunca me faltou comida na mesa nem roupa para vestir. Infelizmente na casa onde cresci andaram à boleia muitos dos problemas que afetam muitas casas por este país fora: toxicodependência, alcoolismo, depressão, cancro, sida, e infelizmente até suicídio e prisão.
Todos estes fatores e outros que não citei levaram-me a perder toda a esperança na vida e no mundo em que vivemos. E inclusive abandonar qualquer tipo de fé seja nos homens ou em algo superior. Pois no fundo não entendia o porquê de tudo isto ter-me acontecido e considerei sempre extremamente injusto em particular para com a minha mãe e a minha avó materna. Felizmente para mim seres humanos extraordinários mostraram-me onde reside a esperança e onde posso depositar a minha fé sem qualquer tipo de reserva porque a fonte que mata a sede da minha alma jamais se secará. Já lá vão quase 20 anos.

Hoje sou um homem de 31 anos casado com a mulher da minha vida a qual me deu uma filha linda. Concluí os meus estudos (pelo menos por agora) tirando uma licenciatura em Educação Social a qual me permite atualmente estar a coordenar o Projeto Escolhas do Vale da Amoreira (trabalho com jovens) o que sempre sonhei e que é um dos grandes fatores dos primeiros cabelos brancos.  Hoje sem sombra de dúvida digo que o melhor que me aconteceu foi ter bebido da fonte certa e essa fonte é o homem Deus, Jesus chamado o Cristo! Redentor da minha alma. O meu Salvador.

 

Há mais de dois anos que lançastes o teu álbum “EX ATEU”, conta-nos o significado dele.
"Ex ateu" é um resumo da minha história de fé. Basicamente sempre cri que nós, seres humanos tínhamos tudo para tornarmos o nosso mundo num sitio lindo para todos vivermos de forma justa e feliz, sem termos de crer em algo superior a nós. Apesar da minha tradição familiar ser católica apostólica romana nunca me interessei verdadeiramente ou cri realmente naquilo que me foi ensinado. Pelo contrário era um grande crítico de quem genuinamente ou não praticava qualquer tipo de fé num deus.
A vida fez-me perceber que o ser humano é cada vez mais egoísta e de mau fundo e que ao invés de evoluir, involui. A titulo de exemplo podemos perceber que a tecnologia, a medicina, a vida em geral está cada vez mais avançada e o ser humano está mais depressivo do que nunca.
Ao ser confrontado com o estilo de vida que Jesus Cristo demonstrou quando andou por esta terra, interessei-me cada vez mais por conhecer melhor a sua história ao ponto de me apaixonar completamente e finalmente crer.
O “EX-ATEU” é onde critico a minha pessoa em especial, na falta de genuinidade na fé Cristã, tal e qual como fazia a outros bem antes de crer. É também onde defendo o porquê de considerar o Cristianismo “A FÉ” entre outros temas!
 Se quiserem saber mais, o álbum está ainda gratuito para download na internet no link:  https://www.mediafire.com/folder/c1oc2swzm50n0/EX_ATEU_-_Mancallas
 

Quais foram os principais motivos, de teres deixado de algum tempo de produzir música, desde o lançamento do álbum?
No fundo nunca deixei verdadeiramente de fazer música. Apenas parei de fazer música temporariamente de forma pública. Estou neste momento a trabalhar no segundo álbum “De olhos fechados” que tem lançamento previsto para o ano de 2017, numa outra surpresa que sairá ainda antes do álbum a qual não vou revelar por agora. O nascimento da minha filha e a vida profissional abrandaram um pouco o “ritmo musical”, mas em breve estou de volta!

 

Há quanto tempo trabalhas como Mancallas? Que projetos fostes desenvolvendo na tua carreira?
Tudo começou em 2002, mas a sério a sério começou ali em 2003/2004 quando fazia parte de uma banda chamada Sentinelas do Apocalipse infelizmente nunca gravamos nada a não ser uns vídeos que estão disponíveis no youtube! Depois veio o coletivo Atalaia onde em 2011 lançamos a compilação com o mesmo nome.  2014 trouxe o meu primeiro álbum a solo EX ATEU já com o selo da HASTRO.
Pelo meio tive inúmeras participações: No álbum “Motivações” de Héber Marques, no “This is Faith” e no “O caminho que eu sigo” de Amil, no “Estamos Juntos” de David Branco, no Hiphopcalipse de Sammy o Salmista, no “Assuntos Internos” de underWord entre outros que eu agora não me recordo (desculpem malta… não foi por mal).
O bom disto tudo é que a maioria dos álbuns e mixtapes que acabei de referir estão disponíveis de forma legal e gratuita disponíveis no Facebook da HASTRO:
https://www.facebook.com/hastrorecords

 

O que te motiva a trabalhar no rap?
O rap é o estilo de música que sempre me acompanhou, desde os momentos em que quase nada fazia sentido na minha vida até aos dias de hoje. No rap percebi o poder das palavras. Percebi também que nele poderia ser eu próprio sem barreiras impostas pelos outros. No rap poderia ser eu e a minha consciência. No rap gritei, chorei, meditei e fui feliz. Acredito profundamente no poder transformador das palavras e é no rap onde melhor as expresso. Daí sentir-me feliz e motivado enquanto faço rap.

 

Vale a pena fazer este trabalho para Deus? O que te dizem muitas vezes à cerca disso?
O valer ou não a pena depende da tua interpretação. Para quem não entende o que faço não faz sentido nenhum porque falar de Deus no rap é sinónimo de poucos ouvintes ou de poucos euros na conta bancária e isso é o que oiço mais vezes, em especial de pessoas que me conhecem, mas não entendem porque o faço. Para mim é óbvio que vale a pena independentemente de trabalhar no rap, na área social ou onde quer que seja. Falando no meu rap em particular também recebo muito incentivo para não parar de fazer o que faço, o que me deixa muito feliz independentemente dos recursos materiais que daí possam provir.

 

Qual a tua experiência mais positiva e surpreendente na tua carreira?
Tenho algumas que poderia contar, mas uma das que mais me marcou foi num concerto intimista para pessoas que estão em situação de sem abrigo. No final do concerto tive uma conversa onde ouvi que tinha marcado a vida da pessoa em questão e onde ouvi um dos mais bonitos e sinceros elogios: “Há quem cante e há quem nasça artista e você nasceu artista e não pela qualidade que transmite na música, mas pelo coração que tem”. Nunca ouvi algo tão sincero e profundo e que me tivesse motivado tanto a não deixar de fazer o que mais gosto. Pouco antes desse concerto tinha ponderado parar de fazer música. Ver alguém com tantas dificuldades na sua vida elogiar-me quando com certeza necessitaria muito mais de receber do que de dar deixou-me completamente sem palavras. Foi de um altruísmo poético. Guardo aquelas palavras no coração em especial quando penso em desistir. Oxalá a minha música possa retribuir a alguém essa mesma motivação e desejo de ser feliz.

 

Quais os teus planos para o futuro?
Desejo do fundo do coração ser um melhor filho, um melhor pai, um melhor marido, um melhor músico e um melhor cristão. Musicalmente falando vou trazer a tal surpresa que falei seguida do meu segundo álbum e por último anúncio em primeira mão que no pós álbum recomeçarei um projeto antigo de teor acústico.
Conto um dia poder viver da música. Por enquanto é um sonho distante, mas acima de tudo espero chegar ao fim dos meus dias e ouvir, o meu Senhor, dizer “vem meu filho entra no gozo do teu Senhor”.

 

Obrigado por teres aceite, que sigas este caminho com preserverança e que Deus te abençoe.
Eu é que agradeço. Forte abraço.

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