Chinaskee edita o novo álbum "Bochechas" um álbum no qual canta sobre crescer.

O músico Chinaskee edita esta sexta-feira (19 fev.) “Bochechas”, um álbum no qual canta sobre crescer, através da partilha de momentos difíceis, numa espécie de terapia feita em estúdio com vários amigos.

“Bochechas”, editado pela Revolve, é o primeiro álbum que Chinaskee grava com banda, mas que também pode tocar ao vivo sozinho se assim o entender, e “era um bocado esse o objetivo”, contou em entrevista à Lusa.

Em cada álbum, Miguel Gomes, de 24 anos, tem um processo criativo diferente e o de “Bochechas” foi o que gostou mais: “Eu estar a escrever as canções como eu as quero, em vez de estar logo a receber opiniões de banda”.

“Basicamente isto são só canções à guitarra, que depois são trabalhadas em estúdio e em sala de ensaios com o produtor e com a banda, para ficar um disco de banda em vez de ficar um disco a solo. Mas é um disco que, na minha opinião, funcionava também só à guitarra, guitarra e voz”, explicou.

No início do ano passado tinha escritas “montes de músicas”, mas à medida que o tempo foi passando percebeu que “algumas já não faziam tanto sentido”.

“O primeiro confinamento, de março do ano passado, ajudou-me muito a deitar fora o que eu não queria e a fazer algumas músicas [novas], e só depois é que levei o resultado final destas dez canções para o estúdio”, contou.

Aí, os temas foram trabalhados com “Filipe Sambado, que produziu, Primeira Dama, que ajudou nos arranjos, e com a banda, a fazer os arranjos também”.

No álbum anterior, “Malmequeres”, que editou em 2017 com Os Camponeses, Chinaskee explorou uma sonoridade mais psicadélica, “com teclados e guitarras com ‘reverbs’”. A dada altura, começou a fartar-se desse “som um bocado etéreo” e a “querer fazer umas coisas mais agressivas, mais ‘in your face’”.

Em “Bochechas”, que é “principalmente sobre crescer, mesmo que não fale tanto desse processo”, o som mais ‘barulhento’ expressa a “raiva” que o músico sentiu em algumas alturas da vida.

Os últimos dois anos foram “de grande mudança” para Chinaskee: iniciou uma relação nova, “com bases mais sérias do que as anteriores”, que o levou “a ser uma pessoa mais responsável”, e arranjou “um trabalho recorrente”, como técnico de som no clube B.Leza, em Lisboa.

O facto de “estar a crescer e estar confortável financeiramente e psicologicamente” deu-lhe “vontade e coragem de falar de umas coisas um bocado mais traumáticas da infância e não só", das quais “nunca tinha tido coragem para falar com alguém ou apresentar em forma de canção”.

Cantar o que passou “é uma maneira de expressar esses sentimentos um bocado negativos”.

“E é um bocado terapêutico, porque quando escrevi as letras já estava num sítio muito mais confortável, então escrever sobre isso era uma coisa de deixar passar essas alturas más e estar a aceitar o que me tinha acontecido a vida toda. Sei que há pessoas a passar pior, mas esta é a minha experiência, achei que era fixe falar sobre ela”, partilhou.

Durante os dois últimos anos ouviu “muita coisa, mas principalmente três ou quatro bandas, todas muito barulhentas”.

Então, a inspiração para criar os 10 temas que compõem “Bochechas” foi buscá-la sobretudo a Nirvana, Car Seat Headrest, provavelmente uma das suas bandas “preferidas” atualmente, e My Bloody Valentine.

Focar-se em ouvir o que queria que o inspirasse foi um processo que aprendeu com o músico Filipe Sambado.

“Desde o ‘Malmequeres’ [que Sambado produziu] que eu e o Filipe temos sido um bocado inseparáveis”, contou. Chinaskee produziu “Revezo”, o álbum mais recente de Filipe Sambado e acompanha-o ao vivo, enquanto baterista.

“Entre 2017 e 2020 aprendi muito com ele, como produtor, como músico. Enquanto está a fazer um disco, ele gosta de ouvir só as coisas que quer que o influenciem e não estar a ouvir música nova. Reparei que [antes de gravar 'Revezo'] ele só estava a ouvir Rosalia, Fausto, José Mário Branco e o meu processo foi um bocado parecido”.

Com o país a enfrentar um novo confinamento e a possibilidade de apresentar “Bochechas” ao vivo ser “neste momento um sonho longínquo”, Chinaskee desistiu de adiar a edição do álbum: “Achámos que mais vale alegrar durante uma semana as pessoas que vão ouvir este disco na Internet”.

Apesar de não estar “a ver isto a acabar muito cedo”, o músico tem “algumas esperanças que mesmo que não haja concertos haja ‘live sessions’ ou programas de rádio que possam vir a ajudar a satisfazer um bocado essa vontade de tocar com os amigos”.

Fonte:LUSA

Foto:Chinaskee

Last modified onquinta-feira, 18 fevereiro 2021 11:12

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