Testemunho de voluntários a ajudar refugiados

Faz pouco tempo em que estive na ilha de Lesbos, a visitar o centro de acolhimento para familias da Municipalidade, Karatepe e outros centros mais pequenos. Mas o lugar onde agora estão retidos a maioria dos refugiados e migrantes que chegaram à ilha desde 20 de março, quando começou a implementar-se o acordo entra a UE e a Turquia, estão literalmente amontoados no Centro de Mória, um espaço do estado grego. Aí não se deixa entrar os meios de comunicação, sejam de qual país forem. Somente pode entrar os poucos voluntários, a maioria de nacionalidade espanhola.

 

O comunicado oficial que recebi das autoridades gregas a informar que no dia 7 de agosto na ilha se encontram 4.095 pessoas que entraram de forma irregular (é dizer por mar a partir das costas turcas), sendo a capacidade máxima para acolher 3.500 pessoas. Isso dá uma ideia de a situação agonizante de toda a ilha, mas especialmente do Centro de Mória, a onde são todos levados nada mais do que para por o pé na praia da ilha.

É sabido que a maioria das ONG's que aí ajudavam antes de 20 de março se retiraram, protestando contra a política europeia e o seu acordo com a Turquia. Desde este desfecho a única ONG que está diariamente desda as 08h00 até as 21h00 é a REMAR S.O.S., com o generoso apoio dos Mensageiros da Paz, igualmente no campo de refugiados de Malakasa, a uma hora de Atenas.

Juan Carlos Gálvez, o responsável da REMAR na Grécia, deixou claro: "Viemos a ajudar, não a julgar decisões políticas". E destaca mesmo que tenham apresentado ás autoridades programas com atividades e aulas para todos, assim como financiar uma instalação de Wi-Fi, não obtêm resposta. Em Mória não há nada que fazer e as pessoas esperam impacientes entre pedras e grades, a 40ºC na sombra, fazendo filas para tomar o pequeno-almoço, almoço e jantar. Se registaram desacatos violentos entre sírios e afegãos, com incêndios em contentores do lixo e denúncias de agressões e violações. "Estão todos desesperados", comenta Juan Carlos.

REMAR pôs ordem nas refeições, instalou várias tendas grandes e cercas de arame, para fazer o repartimento de alimentos, havendo assim filas ordeiras e não amontoamentos, dando prioridade a mulheres e crianças. Tudo isto que parece elementar, é muito difícil de se realizar com o enorme agrupamento de pessoas provenientes de países asiáticos e africanos, com mentalidades muito distintas. REMAR também suporta a alimentação do modesto Exército, com sumos, frutas e um prato de comida, nestes últimos dias cozinhado por Pilar de Gálvez.

Seus voluntários, a maioria jovens e espanhóis, mas atentíssimos, velam pelo bom e justo repartimento dos alimentos sendo bastante carinhosos com as crianças. Nota-se o severo desgaste psicológico de todos os residentes e o aborrecimento das crianças, que não têm muito que fazer. Os rapazes, sobre tudo, dedicam-se a atirar pedras com ponteria e batalhas com paus. A polícia grega tenta intervir o menos possível e os voluntários da REMAR põem paz a todo o momento, durante as horas que conseguem permanecer no acampamento. Tudo sob os 40ºC à sombra, que é pouco. Agora também têm estado a ajudar no acampamento vizinho para as famílias, de Karatepe, que leva a Municipalidade de Mitilini: mais ou menos 1700 refeições por dia. E uma especial atenção às crianças, que muitos levam meses e até anos sem ir à escola.

Juan Carlos opina que "as outras ONG's acabaram por voltar pouco a pouco". Para além da REMAR S.O.S estão agora outras poucas que acompanham o acampamento com atenção social e repartimento de roupas (muita gente chegou sem mais do que levava no corpo).

Mória está agora limpo, e se separou os menores não acompanhados dos locais cercados, e também se separou pessoas com comportamentos agressivos para uma espécie de prisão noutra zona do acampamento, evitando assim incêndios provocados, rixas e tentativas de violação. Isto é o que há de momento.

 

A Rádio Ultra FM apoia esta causa, não deixe de contribuir e de fazer o bem!

 

Quer ajudar estes refugiados?

Voluntariado e donativos em: www.remar.org ou www.remar.pt

Visite a página de facebook em: www.facebook.com/Remarsos

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